29
maio 2020
       

O amor de um cão por seu dono, às vezes, é 50% maior do que a fidelidade de muitos seres humanos

Encontrando um Cão com amor

Amor: – Em março de 1999, no bairro Vilar Grande, município de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, por aquela estrada esburacada e desnivelada daquele bairro, vinha eu e o “Ruinzão” – meu tio, Manoel Araújo, que conduzia o seu Fusca – cor vinho, ano 68, tranquilamente.

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Hoje, infelizmente, as ruas ainda estão esburacadas. Mas não é sobre os desprezos e incompetências propositais de políticos, que não honram com as promessas, que quero falar. 

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Meu cachorro Sansão

Naquele caminho, onde muitos sonhos se perderam, se perdem e outros florescem, ao longe avistei um pequeno animal na beirada da rua.

De início, eu e o meu tio, acreditávamos de se tratar de um “prear” ( uma espécie de roedor), mas ao nos aproximarmos do ser vivente, vimos que se tratava de um cachorrinho indefeso.

O cãozinho era uma mistura de “Pastor Alemão” com “Vira-Latas”.

Então, decidi pegar aquele bichinho e assumir a responsabilidade de cuidar dele. Olha, não foi fácil agarrar o carinha, quando tentei capturá-lo, o danadinho lascou os caninos finos e afiados em minha mão. Mas logo consegui domá-lo e o levamos.

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Dei-lhe o nome de “Sansão”, que é um dos meus heróis bíblicos preferidos, pois imaginei que ele fosse crescer forte e destemido. Porém, ele não cresceu tanto como eu havia imaginado, mas ao menos forte e destemido se tornou.

Além de muito obediente, coisa que o “Sansão” da Bíblia não foi com o seu Deus. 

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Mas, porque estou falando deste Pet? 

Li uma notícia sobre dois cães lavradores que nadam, duas vezes por semana, em um lago, no interior de São Paulo, à procura do dono que morreu afogado, nesse lago.

E devo dizer-lhes que, toca-me profundamente o senso de fidelidade e, o instinto de gratidão e amizade desses animais pelas pessoas que cuidam deles. É um amor incomparável!

Filmes de cachorros

A notícia fez menção à fidelidade do cãozinho Hashiko, que ficou conhecido no Japão no início do século, por esperar o seu dono numa estação de trem.

A história foi retratada no filme “Sempre Ao Seu Lado”, lançado no País em 2009.

Mas lembrei também de outras tramas cinematográficas, umas baseadas em fatos e outras não. No entanto, todas às histórias estavam envolvendo os cachorros. 

Por exemplo, “K9 – um policial bom pra cachorro”, filme da década de 80 estrelado pelo ator James Belushi, que conta história de um “Pastor Alemão” policial que não abandona seu dono por nada.

Quem tem um cachorro em casa, ou já teve, sabe bem do que esses animais são capazes de fazer por amor ao dono. Se eles não dão a vida para proteger você, muitas vezes, eles morrem de saudade por não mais te ver.  É, ou não é?

Um Cachorro Amigo do meu pai

Lembram do Sansão? Pois é, com o tempo eu tive que sair de casa e ir trabalhar fora, só retornava nos finais de semana.

Naquela época, assumi direção de programação de uma emissora de rádios do interior do Rio de Janeiro e o meu cachorro Sansão, que era muito ligado a mim, passou a ser o fiel companheiro do meu “paivô”.

Aonde quer que meu pai fosse, o Sansão ia atrás. E quando eu chegava, nos sábados ou nas sextas à noite em casa, ele já não fazia mais tanta festa.

Não que ele não gostasse mais de mim, pelo contrario, mas agora o tutor dele era o meu avô.

Quando digo que esses animais morreriam para proteger seus donos, ou morrem de saudade deles, refiro-me ao sentimento de perda que nós seres humanos somos capazes de superar e eles não, isso é um amor incondicional.

A morte do meu pai

Meu pai morreu em 24 de abril de 2005, e o Sansão, todos os dias,
deitava-se na porta da casa do meu pai esperando que ele a abrisse e fosse passear com ele.

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Eu fiquei de licença dois meses em casa, dando assistência para minha mãe e, consequentemente, tentando reanimar o meu cão. Mas foi em vão, três meses depois, ele morreu de saudade de meu pai. 

Ainda hoje, emociono-me ao lembrar dos dias em que, eu e o meu cachorro Sansão, corríamos pelos montes, vales e matas, da roça onde morávamos tocando as vacas, de meu tio Afonso, de volta para o curral.

Que pena que a vida, muitas vezes, nos obriga a correr em busca de outros raios de sol. Com o Sansão, e com exemplo de outros cachorrinhos, percebi que o amor desses animais por seus donos, às vezes, é mais fiel e duradouro do que muitas amizades firmadas entre os homens. 

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