17
fevereiro 2020
       

Botafogo, 2019, uma nova história escrita por vexames

O Botafogo de Futebol e Regatas é um dos times mais tradicionais do Brasil, o nome é reconhecido, mundialmente, por inúmeras lendas que serviram a Seleção Brasileira. Não só serviram, mas trouxeram, para o futebol do País, três títulos de Copa do Mundo. Ou seja, não há como negar que de fato o Botafogo tem um passado e uma história muito glamourosa, um charme ímpar, envolta por um romance e tomada por um encanto.

Um time mitológico

A magia que envolve o time é tamanha. Tanto que muitos, dos milhares de torcedores declaram esse amor:”Eu não escolhi o Botafogo, foi o Botafogo quem me escolheu”, por aí, já se compreende um pouco desse fascínio.

As histórias lendárias que são contadas sobre o super time Botafogo no passado, são dignas de serem roteirizadas , reconstituídas e, consequentemente, ir parar nos cinemas do mundo inteiro, por meio de Hollywood. Pois, sabemos que, muitos estúdios de cinema amam contar histórias baseadas em fatos.

Que filme bonito daria o Botafogo

Imagine um filme contando o começo de tudo, pense na comoção que geraria, nas lágrimas de emoção que resultaria esta cena: “No dia 11 de junho de 1942, os dois clubes disputavam uma partida de basquete pelo Campeonato Estadual e o jogador Albano, do Botafogo F.C., durante o intervalo, caiu em quadra, vítima de um ataque cardíaco”.

Só nesse paragrafo, o drama, o suspense envolveria os espectadores na sala de cinema, a curiosidade do saber o desfecho do por vir só iria aumentar para os minutos seguintes.

Leia, imagine, deixe a sua mente trabalhar na construção deste cenário que esse relato nos apresenta e me diga, se seria ou não emocionante:

Um time de inúmeros craques desde a fundação

“O ataque, foi fulminante. A partida foi interrompida a dez minutos do final, quando o placar marcava CRB 21x 23 BFC. O corpo de Albano saiu da sede de General Severiano e, quando passava em frente ao Mourisco Mar, o então presidente do C.R.Botafogo, Augusto Frederico Schimidt, disse:

“Comunico nesta hora a Albano que a sua última partida resultou numa nítida vitória. O tempo que resta do jogo interrompido os nossos jogadores não disputarão mais”.

Um só Botafogo

O então presidente do Botafogo Football Club, Eduardo Góis Trindade, respondeu: “Nas disputas entre os nossos clubes só pode haver um vencedor, o Botafogo!” Schimidt então selou a fusão: “O que mais é preciso para que os nossos dois clubes sejam um só?”.

Aí, à partir deste momento, nasce o Botafogo de Futebol e Regatas. Você conseguiu visualizar em sua mente todo o desenrolar dessa história? Sua imaginação foi capaz de esmiuçar com riquezas e explorar todos os detalhes dessa narrativa?

E agora a pergunta, quantas pessoas estariam nesse momento com olhos lacrimosos ao verem essa cena sendo contada com requintes de um romantismo cinematográfico na frente do telão? Eu seria um dentre os milhões. Sou extremamente emotivo.

De Garrincha à Nilton Santos

Agora, pense em cenas lendárias que poderiam ser produzidas falando da constelação de craques alvinegros, sim foram inúmeras estrelas que surgiram no decorrer dos anos. Certo?

Botafogo uma nova história escrita por vexames
Garrincha deixa o adversário de quatro em campo

Deixe seus pensamento navegarem rumo àqueles tempos áureos e permita que na sala de cinema do seu crânio sejam reproduzidas as jogadas de Garrincha, Quarentinha, Amarildo, Nilton Santos, e outras lendas…

Ufa, quantas estrelas! Que constelação! E aí? Visualizou com riqueza todas as imagens? seu cérebro foi capaz de processar com clareza todas informações e montar no âmbito de sua imaginação tais cenas?

Botafogo 1989

Já num passado mais recente, temos o registro daquela histórica e, porque não dizer, épica conquista do Carioca de 1989, quando o Botafogo com um time muito mais inferior do que o Flamengo, consagrou-se campeão Estadual invicto.

Botafogo uma nova história escrita por vexames
o time desacreditado que desbancou os favoritos no final da década de 80

Esse jogo em si, se realizar uma pesquisa profunda, só de bastidores, já daria uma sequência de cenas magnificas! Sem contar que as equipes se enfrentaram antes desse decisivo jogo e o resultado foi um 3 x 3.

Pela extinta TV Manchete, com narração de Paulo Stein, com comentários de Márcio Guedes e o saudoso João Saldanha, acompanhei esse jogo e me lembro do comentário do João, quando o Botafogo perdia por 3 x 1 para o Flamengo.

“É amigos”, disse ele, “vou me retirar do Maracanã, pois parece que o Botafogo está dando adeus a sua invencibilidade”, Completou.

No entanto, foi ele fechar a boca e o Botafogo diminuiu e em seguida empatou. Que sequência para este filme hem?

Botafogo 1993

E a lendária Copa Conmebol – hoje Sul Americana, então? Aquele time desacreditado do saudoso Carlos Alberto Torres – Capita, que chegou como o ridículo, o patinho feio da competição e saiu como o cisne branco.

Botafogo uma nova história escrita por vexames
Um time que faltava técnica, mas sobrava raça

É bem verdade que no Campeonato Brasileiro a equipe foi muito mal, mas mesmo assim não deixou de escrever mais um capítulo no livro da história gloriosa do Alvinegro carioca.

Campeão de 1995

O time de Túlio Maravilha, e todo elenco, é uma história à parte. Esse time daria até para deixar um gancho para um filme solo, só pela irreverência de Túlio e todo contexto que envolvia aquele grupo.

“Vai ser muito difícil o Santos ganhar do Botafogo, será praticamente impossível, não tem jeito Botafogo é o campeão” – Túlio Maravilha

Em 1996, o Botafogo conseguiu a façanha de derrotar o time mais poderoso do mundo na época- Juventus da Itália. Não só o derrotou, mas sagrou-se campeão da Taça Tereza Herrera.

Resumidamente, lembrei algumas história fantásticas que o Botafogo escreveu no cenário do futebol mundial e nacional. Jogos incríveis, partidas mitológicas. Épocas em que a Estrela Solitária tinha times emblemáticos e arrojados que faziam o adversário tremer, antes de entrar em campo.

Botafogo foi campeão em cima do maior time do mundo em 1996, da Taça Tereza Herrera

No entanto, nas novas páginas que estão sendo registradas e guardadas para essa nova fase de histórias do glorioso Botafogo, os relatos que são vistos, os contos narrados, os jogos testemunhados, mostram uma verdade bem diferente da que foi confirmada nos anos passados.

Botafogo um gigante apequenado

O atual momento do Botafogo, a nova história que está sendo escrita sobre o time de General Severiano, aquele que é chamado de “O Glorioso”, é uma história cheia de quedas e humilhações – quedas, duas descidas para à série B no Brasileiro, humilhações com derrotas vergonhosas para os rivais do Rio e do Brasil.

Botafogo se ajoelha frente ao time de série C – Juventude

Eliminações precoces e derrotas melancólicas para times minúsculos na Copa do Brasil. Como no ano passado, quando foi eliminado ainda na primeira fase da competição para a, até então, desconhecida Aparecidense.

E agora, amarga mais uma eliminação precoce! Desta vez, para o Juventude de Caxias do Sul. Como se não o bastasse a eliminação , ainda foi vítima de escárnio.

O time que lhe tirou o título, desta mesma competição em 1999, diante do maior púbico já registrado no Maracanã. Mais de 100 mil pessoas, um recorde que até hoje não foi quebrado. Outra vez, o derrota e o elimina da Copa.

Para piorar a situação, nem para as finais do Carioca este ano a equipe se classificou. Dos quatro grandes do Rio, o time de “Garrincha”, foi o menor, em seu lugar, Bangu – Vice Campeão Brasileiro de 1985, ocupou o espaço na semifinal do Estadual.

Por que o Botafogo está assim?

Inúmeros fatores podem contribuir, negativamente, para uma equipe, ou até mesmo, uma grande empresa, multinacional, encontre o caminho rumo ladeira abaixo e sem direito a freios.

No caso do Clube do Botafogo, observa-se, desde a incompetência de seus gestores anteriores e atuais, ao acúmulos e mais acúmulos de derrotas e históricos de fracasso nas principais competições do País, à terrível e cruel divisão de cota de TV que, até ano passado, era super desigual.

Flamengo e Corinthians lideram os repasses

Só que deste mal, não só o Alvinegro carioca é quem sofria. Mas isso é uma outra história que podemos nos aprofundar num outro artigo. O fato é que, essa desigualdade na repartição das verbas beneficiou uns pouco, cinco à quatro no Máximo. E prejudicou, ao longo das décadas, mais de 20 times.

Vale à pena destacar que Vasco, Fluminense e outros times com história marcantes do Brasil, estão vivendo situações parecidas a qual enfrenta o Botafogo, mas o mínimo que esses demais clubes demonstram para não ficar pior no contexto da situação, é uma administração organizada e que busca ser mais profissional possível.

A triste e assombrosa realidade do Botafogo é que, a cada ano que se passa, os times que são montados para representar a gigantesca instituição Botafogo de Futebol e Regatas, são medíocres.

Elenco fraco e sem qualquer estimativa autoral para entrar em qualquer competição para ser protagonista, entram nos campeonatos não mais para disputar, mas para participar e ser um mero figurante.

A instituição Botafogo, a enorme torcida espalhada no Brasil e no mundo inteiro, lutam e brigam para que clube continue grande, mas os dirigentes insistem na teimosia de montar um time pequeno.

“Ah, mas não tem dinheiro”, alguém pode dizer. Então, contrate alguém, consiga um profissional que tenha o dom de fazer aparecer dinheiro. Nessa vida a gente dá solução para tudo, só não para morte.

E lembre-se, dinheiro chama dinheiro. Títulos expressivos são sinônimos de publicidade e merchan gratuitos, o que pode atrair inúmeros patrocinadores pontuais. Mas para isso acontecer, tem que pensar grande!

Tem que mudar o foco e o modo medíocre e insignificante de agir.

É preciso, urgentemente, parar de usar a caneta frágil e de tinta duvidosa, que está ajudando a escrever uma nova história vergonhosa e trocar por uma com ponta dourada e tintas confiáveis.

Pensamentos medíocres, forma de agir medíocre. Pensamentos grandes, atitudes e conquistas incontáveis.

A verdade é que o Botafogo precisa sair da pequenez…

Quanto ao novo técnico, Eduardo Barroca, desejo sucesso. Mesmo sabendo das probabilidades contrárias que vai enfrentar.

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