fbpx Barezinhos: De camisa 9 à cabeleireiro e cantor de Barzinhos
11
agosto 2020
       

De camisa 9 à cabeleireiro e cantor de Barezinhos

Joacir Farias é um dos “famosos anônimos” que existem em nosso Brasil, o cara que no passado foi jogador de futebol, hoje leva a vida e tira o sustento da família cortando cabelos, fazendo barbas e cantando em barezinhos na cidade de Curitiba.

Farias veio do interior catarinense, ainda muito criança, se criou em Lages, e foi lá, no alto da serra catarinense que ele começaria a trilhar o caminho do sucesso. Sucesso temporal que despertaria paixão da torcida, curiosidade de olheiros e elogios dos companheiros.

O garoto do interior teve uma oportunidade de realizar um teste no Inter de Lages, na famosa “peneira”, o moleque arrasou. Saiu de campo ovacionado e pouco tempo depois já vestia a camisa 9 do juvenil do time colorado catarinense.

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Joacir foi sucesso no time da serra catarinense

No entanto, a carreira do atacante prodígio, no time de aspirante da serra, não durou muito. Três anos depois de estar na equipe de base do time colorado, num jogo do campeonato catarinense, numa jogada de linha de fundo, após dar um drible no adversário, ele acabou torcendo o joelho.

“Foi uma jogada pela ponta quando, eu o driblei, fui puxar para o outro lado que estava a nossa torcida, ele me desequilibrou e eu cai por cima do joelho, o que causou a torção”, lembra Joacir.

Nos Barezinhos de Lages

Com a carreira interrompida, temporariamente, o atleta foi se dedicar a uma outra paixão – a música. No tempo em que ficou de molho, começou a perfeiçoar as técnicas no violão, e não demoraria muito para mostrar o talento no barezinhos de Lages.

A carreira futebolística de Farias, no Inter de Lages, foi interrompida de uma vez por todas, quando a família passou a morar em Curitiba. Ao chegar na Capital, já recuperado da torção no joelho, foi convidado por um amigo a fazer um teste no Coxa, adivinhem? Sim, ele passou na peneira!

Contra o Coxa

“Nós jogamos contra o juvenil do Coxa, perdemos de 16 à 1, e esse um, foi um gol meu. Eu estava morto de cansado pedindo para sair, mas o treinador não deixava, até que disse que alguém tinha me acertado, só assim, ele permitiu a minha saída”, conta.

Após o término da partida o treinador disse que ele foi um dos escolhidos para se apresentar e assinar contrato para jogar no time de aspirante do Coritiba, “o meu amigo não passou, e ficou me perguntando se eu tinha passado, eu disse que não sabia. Aí ele me perguntou se me chamaram para assinar algum papel, foi quando contei que o treinador disse para eu voltar no próximo jogo”.

Porém, Joacir não saberia voltar ao Centro de Treinamento do time da Capital, “Eu não sabia nem pegar o ônibus sozinho, eu tinha recém chegado do interior, era tudo muito assustador para mim, e também não tinha quem me levasse e por ser um brucutu, acabei perdendo essa chance”, destaca.

No entanto, com o tempo, Joacir foi deixando de ser “brucutu”, começou a trabalhar com vendas, aprendeu a andar por Curitiba, formou duplas sertanejas, cantou, cantarolou e interpretou muitas canções nos bares da cidade, fez curso e se tornou cabeleireiro.

Ele jogou no Inter de Lages, fez teste no Coxa e hoje solta voz nos barezinhos de Curitiba
Joacir Faria é um dos ilustres “famosos anônimos”

Hoje, é casado, pai de quatro filhos, mora há mais de 20 anos no Sítio Cercado e por meio de cortes e mais cortes de cabelo, de tirar e fazer inúmeras barbas, tira o sustento da família. E ainda, de quebra, faz uns shows no barezinhos da Cidade, o que lhe garante uma “rendinha” extra.

“Com muita dificuldade, consegui gravar um CD. E esse CD, vendo em minhas apresentações nos bares que toco”, Ressalta.

Joacir Faria, 49 anos, cabeleiro, ex-jogador de futebol e cantor, ele é um dos ilustres “famosos anônimos” que enchem o País de ricas histórias que estão esperando para serem contadas e ainda hoje, segundo ele, “jogo o meu futebolzinho com os meus amigos aos finais de semana”, completa.

“Às vezes as pessoas que passam por aqui pelo salão, nem sabe bem quem eu sou, elas desconhecem a minha origem e o meu passado. Então, acredito que compartilhar um pouco da nossa história com os nossos amigos é importante. Até mesmo para uma melhor afinidade e socialização. E para quem não me conhece, prazer, eu sou o Joacir Farias, um amigo do bairro”, finaliza.

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